Drogas na Escolas

O período que constitui a adolescência se intensifica principalmente nas séries escolares que compõem o Ensino Médio. Dessa forma, podemos lembrar que é um período da idade humana, em que o adolescente está à procura de uma identidade, que possa representá-lo
como pessoa, sendo alvo de várias influências e novas experiências que poderão definir sua personalidade por muitos anos.
O contato com as drogas nesse período pode mostrar-se prejudicial, haja visto que estão por se conhecer ainda. O consumo de álcool, cigarro e maconha são os mais comuns neste período, não podendo esquecer que o consumo de crack, não apenas entre adolescentes do Ensino Médio, mas também nos mais novos, vem aumentando assustadoramente no contexto brasileiro das escolas públicas. A família tem a função de inserir seus membros na cultura, tendo direta relação de como o adolescente reage à variada oferta de drogas na sociedade, mais especificamente no âmbito escolar.

DROGAS NAS ESCOLAS

Durante um longo período, a abordagem do tema drogas foi considerada tabu nas es-colas brasileiras. A escola não é afastada da maior parte da sociedade e é preciso construir caminhos que aproximem ainda mais a escola e a sociedade.
Dos vários ambientes que requerem prevenção no uso de drogas, a escola de ensino fundamental e médio tem sido indicada como um dos mais propícios para ações desta natureza considerando-se diversas particularidades.
Primeiramente, o público atendido pela escola encontra-se em uma faixa de idade que corresponde, segundo as estatísticas, ao período da vida onde grande parte das pessoas começa a experimentar alguma droga. Desse modo, uma intervenção preventiva neste momento será muito mais eficaz no sentido de se interromper a tendência do usuário em prosseguir para outros níveis de utilização da droga em maior frequência.
Diversas características da adolescência têm sido elencadas como fatores de risco para o início do uso de drogas entre as quais podemos destacar a tendência de contestar o que é definido como correto e a necessidade de inserção no grupo social, de ser aceito.
Um outro aspecto importante é que a escola se constitui em um ambiente onde o adolescente passa grande período do seu dia e ali está ávido por coisas novas e aberto ao aprendizado, disposto a canalizar as efervescências pessoais para novas experiências.
Se por um lado estas constatações podem funcionar como fatores de risco ao uso de drogas, por outro, ao conseguir interceptá-las podemos encontrar formas objetivas de prevenir o uso de drogas.
A simples realização de eventos informativos como palestras por especialistas de fora, portanto alheios à realidade escolar não basta, pois já está provado que o simples fato de conhecer que determinado comportamento é nocivo não é suficiente para que o indivíduo abandone essa prática. Além disso, estas palestras esporádicas e descontextualizadas podem despertar curiosidades desnecessárias e funcionar como uma “droga” entorpecendo a direção escolar, anestesiando suas consciências e trazendo urna falsa sensação de “dever cumprido”.
O trabalho com drogas pode vir a ser feito em três níveis: prevenção, repressão e tratamento. A prevenção divide-se em duas etapas: prevenção primária que procura desestimular a primeira experiência dos não iniciados e a prevenção secundária que busca prevenir o aprofundamento do uso experimental.
A prevenção coloca-se, portanto como imperativo desse processo já que o tratamento de pessoas já em dependência é longo difícil, aleatório e caro. Quanto mais precoce, de preferência antes do contato do jovem com a mesma, maiores são as possibilidades de eficácia da mesma.
Quando se considera a prevenção no contexto escolar deve-se dar ênfase no investimento da formação de profissionais qualificados, bem treinados e habilidosos para lidar com as demandas da instituição. Deve também buscar envolver o corpo escolar inteiro e colocar o adolescente como participante ativo do processo de elaboração dos projetos utilizando linguagem acessível e escutando o que ele tem a dizer sobre sua realidade.
Na impossibilidade de excluir as drogas do domínio social há que se trabalhar visando à construção de sujeitos mais preparados para enfrentar os problemas causados por elas.  A prevenção entraria, portanto como parte da formação dos sujeitos dentro do ambiente escolar.
As informações, como meio mais importante de prevenção, devem focar a qualidade de vida e não as drogas, o produto em si. Isso poderia surtir o efeito contrário, excitar a curiosidade dos adolescentes, tão ligado a situações desafiadoras. O processo de prevenção deve buscar abranger a qualidade de vida ligada aos hábitos dos adolescentes, englobando seus problemas e interesses.
O adequado enfrentamento dessas problemáticas exigiria políticas públicas que viabilizassem a construção de soluções que fossem colocados em contraponto com o “modelo do medo” e a “pedagogia do terror” que silenciam e excluem sem de fato proporcionar a devida formação de consciência relativa aos problemas aos quais as drogas podem estar ligadas.
O jovem acaba sendo colocado numa posição de fragilidade e muitas de suas capacidades e possíveis contribuições vem a ser ignoradas. Dessa forma, os trabalhos realizados no sentido de evitar o envolvimento destes com as drogas acabam sendo desvalorizados e perdem muito nos seus objetivos finais.

CONCLUSÃO

A iniciação dos jovens no mundo das drogas lícitas e ilícitas ocorre geralmente neste período da idade, quando a curiosidade e a necessidade de se ter uma identidade, levam os jovens a procurarem novos modos de se interpretarem, mudando seu consciente, para que, dessa forma, possam se identificar com variadas formas.
Outro fator importante para o consumo indiscriminado de drogas na adolescência é a formação dos grupos na escola, onde há, de forma clara, a influência gerada entre esses grupos para que haja, de certa forma, uma aceitação maior do adolescente para drogas tais como: cigarro, maconha, crack e cocaína, mas principalmente esta, ligada ao consumo do álcool, porta de entrada para esse novo mundo, o mundo das drogas.
Podemos entender que os fatores de proteção são de suma importância para o acompanhamento do adolescente na fase inicial da vida. Desde a convivência com os parentes, sendo aconselhado e apresentado ao mundo de forma a entender os efeitos nocivos das drogas, até a fase de “libertação” do adolescente, que consiste na fase do Ensino Médio, em que o adolescente torna sua atenção aos seus amigos na escola; sendo eficaz neste caso, o acompanhamento familiar, as amizades de seus parentes, e principalmente o acompanhamento escolar, visando observar possíveis condutas errôneas entre os jovens.

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